Não me mataram porque não quiseram’, disse. Policiais se esconderam durante invasão.

 

 

Depois da manhã de terror registrada neste domingo (17) na comunidade da Rocinha, na Zona Sul do Rio, passou a circular nas redes sociais um texto de desabafo atribuído a um policial militar que seria da UPP da Rocinha.

Conforme mostrou o RJTV, no texto o policial diz que os policiais tiveram que se proteger dos criminosos que chegaram em bandos à comunidade. Ele agradece por estar vivo e afirmou que só não foi morto porque os bandidos não quiseram matar os PMs.

“Agora estou em casa. A primeira coisa que fiz foi beijar minha filha e minha esposa e mandar notícias pra minha mãe. Não tem super heroi. Não me mataram pq não quiseram e Deus não permitiu pois quando vc vê uns 20 fuzis ao mesmo tempo na sua direção e falar: nem tenta q a guerra não é com vcs, vc tb vai fingir q não viu. Um desabafo de um ?covarde? vivo”, diz o texto.

De acordo com o porta-voz da PM, major Ivan Blaz, os policiais tomaram a decisão mais acertada. “De fato, eles não estavam ali preparados para lidar com esse tipo de evento crítico e optaram, realmente, por preservarem suas vidas e daqueles que estavam ali próximos a eles. Foi uma decisão acertada a partir do momento que, prioritariamente, se estabeleceu ser após essa ação”, afirmou o major.

Os PMs não reagiram, se abrigaram e se esconderam. “Em frente à Ápia aqui. Mais de 20 ?gansos? (informantes) tudo com fuzil. Se esconde, se esconde! Se esconde aí, rapaziada!”, alertavam os PMs pelo rádio durante a invasão. Em das imagens gravadas por moradores, os traficantes aparecem roubando dois carros em uma das ruas da comunidade e passam por duas viaturas da PM.

Manhã de terror

A comunidade da Rocinha foi surpreendida, no começo da manhã de domingo (17), com dezenas de criminosos invadindo o morro e dando início a intensas trocas de tiros. Os tiroteios tiveram início por volta das 6h20. A polícia diz que cerca de 60 criminosos invadiram a comunidade numa tentativa de retomar territórios usados para a venda de drogas.

Vídeos registrados por moradores mostram o clima de terror durante a ação dos criminosos. Tiros eram disparados em diversos pontos da comunidade. Criminosos atiravam de cima das lajes das casas.

Um dos vídeos mostra um flagrante em que diversos criminosos em dois carros, um deles roubado, passam ao lado de viaturas da UPP. Os policiais teriam se abrigado para se protegerem ao perceberem a movimentação dos bandidos.

Segundo as investigações policiais, traficantes da favela se enfrentam numa disputa interna pelo controle da venda de drogas na região. Os ataques à Rocinha tem como principal mandante o traficante Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha, preso na Penitenciária Federal de Porto Velho, em Rondônia.

Atualmente a Rocinha é dominada pelo traficante Rogério Avelino da Silva, conhecido como Rogério 157, um dos presos pela invasão ao Hotel Intercontinental, em São Conrado, em 2010, e libertado em janeiro de 2012 por uma decisão da justiça.

Os confrontos atuais se deram por um racha na aliança entre os traficantes Nem e Rogério 157. A briga começou com a morte de Ítalo de Jesus Campos, conhecido como Perninha, a mando de Rogério 157, em agosto passado. O bandido também havia sido preso em 2010 pela invasão ao hotel. Foi solto pela mesma decisão judicial que beneficiou Rogério 157 em 2012.

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